“Os estudos apontam para a construção de um porto para a região do Porto do Mangue, que poderia receber navios de grande porte…”

O Rio Grande do Norte está na disputa para receber um porto-indústria com investimento da China. As discussões sobre o novo empreendimento começaram a ser feitas após a visita de empreendedores chineses ao território potiguar na última semana, de acordo a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (Sedec).

Segundo o titular da Sedec, Jaime Calado, a vinda dos representantes do país asiático aconteceu após o encontro com a cônsul chinesa no início do ano.

Produzimos um documento ao governo chinês com as nossas potencialidades e demandas. Falamos que precisamos de um porto de grande porte, um terminal graneleiro de grande porte, para mais de 75 mil toneladas de exportação. Os estudos apontam para a construção de um porto para a região do Porto do Mangue, que poderia receber navios de grande porte”, revelou.

Para o secretário, o porto seria importante para exploração as grandes reservas de minerais existentes no subsolo potiguar. “Mostramos que temos uma boa produção de ferro, feldspato e calcário. São reservas que pode durar até 200 anos”, apontou.

Jaime Calado disse, também, que o projeto do porto-indústria ainda está na fase estudo. A estrutura vai servir para atender as demandas do setor eólico potiguar, fornecendo peças para os parques offshore, ou seja, que serão instalados na região de costa potiguar.

Somos os mais avançados neste tema, sem dúvidas. E produzimos 4 gigawatts de energia. Vale ressaltar que o Estado consome apenas 1 GW e exporta o restante da produção. A expectativa é de 61 novos parques eólicos e a geração de mais de R$ 6 bilhões”, detalhou.

O secretário explicou que a China já tem uma boa participação no setor eólico do Rio Grande do Norte. Três empresas asiáticas têm parques instalados no estado, como a Spike, que é a maior marca do setor em todo o mundo.

Ainda sobre o porto, o secretário estadual falou sobre as exigências dos chineses para a operação. Os pleitos foram relacionados principalmente com a obtenção de licenças.

Os chineses já estão construindo um porto no Maranhão e no Espírito Santo. Para nós, eles nos pediram duas coisas: licenças ambientais e demanda para utilizar a estrutura”, explicou.

Durante a vista dos representantes chineses, o estado recebeu 30 pessoas, sendo que alguns titulares de importantes instituições financeiras da Ásia. O RN recebeu dois diretores de bancos de desenvolvimento, que têm mais de US$ 457 bilhões para investir no exterior – valor maior que todas as reservas do Brasil.

Também recebemos representante do Banco da Agricultura da China, que é um dos cinco maiores do mundo”, disse Calado.

Outro pedido feito pelo Rio Grande do Norte foi a construção de uma ferrovia entre Mossoró e Natal, com um ramal para a região do Seridó, para escoar a produção de minérios.

Além disso, o porto de Natal pode ser reformado e receber melhorias para a exportação da pesca. Também pleiteamos um estaleiro para o conserto barcos, pois todas as grandes frotas trafegam pelas proximidades de Natal”, adicionou.

Além da produção de minérios e de energia eólica, o governo potiguar também apresentou a potencialidade do setor da fruticultura, como a venda de melão. Os chineses visitaram a empresa agrícola Famosa, em Mossoró, que tem mais de 9 mil funcionários.

A partir do momento em que a China passar a receber a produção do melão potiguar, a empresa vai dobrar o número de trabalhadores”, disse.

O segundo passo das negociações com o setor produtivo chinês, segundo Jaime Calado, vai acontecer em agosto. A expectativa é de que uma nova comitiva venha ao Rio Grande do Norte para assinar protocolos de intenções com o governo estadual.

Os chineses também convidaram jovens empreendedores para que eles participem de um fórum empresarial”, encerrou.

Agora RN