Saiba de onde partiram as ‘caixas misteriosas’ que foram encontradas nas praias do nordeste.

Saiba de onde partiram as ‘caixas misteriosas’ que foram encontradas nas praias do nordeste.

Ao mesmo tempo em que buscavam decifrar as causas do derramamento de óleo que atinge a costa da região Nordeste desde setembro, pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) descobriram que as centenas de caixas de borracha encontradas nas praias desde o ano passado pertenciam a um navio alemão abatido em 1944, durante a Segundo Guerra Mundial.

Há um ano as misteriosas caixas começaram a aparecer no litoral nordestino. Desde então, pelo menos 200 foram encontradas do Norte da Bahia ao Maranhão. Em março, elas surgiram na costa cearense.

Agora, os materiais que tanto despertaram a curiosidade da população, tiveram a origem identificada por três pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da UFC.

O material pertence a um navio da Alemanha torpedeado por tropas americanas próximo a Recife, em Pernambuco, em janeiro de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial. Os pesquisadores identificaram inscrições em alemão numa placa metálica em um das caixas encontradas numa praia de Itarema, município localizado a cerca de 200 quilômetros de Fortaleza. Foi a partir daí que uma pesquisa histórica elucidou o enigma.

“Conseguimos identificar um cargueiro, chamado Rio Grande, num banco de dados americano sobre naufrágios no Atlântico Sul durante a Segunda Guerra. Esse cargueiro transportava principalmente fardos de borracha bruta”, explica o oceanógrafo físico Carlos Teixeira, um dos responsáveis pela pesquisa.

Para ratificar o levantamento histórico, os pesquisadores fizeram então uma simulação numérica computadorizada. Pelo método, são liberadas partículas a partir do lugar onde o navio afundou. O resultado mostra que as partículas chegam exatamente ao litoral nordestino, reforçando a tese de que a antiga embarcação é a fonte das caixas vistas em várias praias desde o fim de 2018.

Alguns fatores como direção das correntes marítimas, temperatura, salinidade e ventos foram considerados na simulação, que permitiu saber de onde os materiais vêm e para onde estão sendo transportados pela correntes.

O navio civil, construído em 1939, foi afundado em janeiro de 1944, após deixar a capital pernambucana no dia 2 de janeiro daquele ano fugindo do bloqueio naval imposto pela marinha americana.

Após abatido, os sobreviventes conseguiram sair em pequenos botes rumo a Fortaleza, onde foram presos na 10ª Região Militar. A embarcação foi encontrada somente em 1996, a cerca de 5.700 metros de profundidade.

A relação dos fardos de borracha oriundos do naufrágio com as recentes manchas de óleo que atingem o litoral nordestino está descartada, no momento. “O petróleo cru encontrado nas últimas semanas é um óleo considerado novo e não proveniente de uma embarcação que naufragou há tantas décadas”, afirma Teixeira.

Mesmo assim, os pesquisadores cearenses vão enviar, na próxima semana, amostras de óleo das praias cearenses para o Instituto Oceanográfico de Woods Hole, nos Estados Unidos. A análise da composição vai comprovar se o óleo, de fato, pertence a uma extração recente.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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